terça-feira, 23 de novembro de 2010

REFLEXÃO ROTÁRIA – DIA 25/11/10

Fortaleza-Ce, 25 de novembro de 2010.



Amados Rotarianos Campinenses,
Saudações em Cristo!



SE JÁ SOU PERDOADO,
POR QUE PEDIR PERDÃO?



Novos instrumentos sempre precisam de afinações. Assim é também quando novas compreensões nos chegam ao coração. Sempre há necessidade de fazer uma sintonia fina de vez em quando. Isto porque as novas alegrias muitas vezes nos impedem de fazer uma síntese mais equilibrada das coisas por um tempo.
E a prova disso é que Hoje resolvi falar sobre perdão. Sinal de que há uma nova reflexão sendo feita. O que é muito bom!
Eu tive a bênção de ter um pai de quem jamais duvidei do amor. Eu sempre soube que meu velho me perdoaria de qualquer coisa, embora eu também sempre tenha sabido que qualquer coisa indigna que eu viesse a fazer, e ele a saber, seu coração se entristeceria bastante, talvez até profundamente. Assim, eu sempre soube que ele me perdoaria porque ele me ama, mas nunca deixei de pedir perdão a ele apenas por saber disso.
Ora, se é assim com meu pai terreno, como seria com meu Pai que está nos céus? Ao meu pai eu peço perdão porque ele precisa saber que minha consciência está viva e sadia. E também porque o respeito e desejo honrá-lo até nos meus erros. Já em relação ao meu Pai que está nos céus, peço perdão por mim mesmo, para o meu próprio bem, como reconhecimento de que minha consciência está viva, e, sobretudo, porque minha vida é um flagrante permanente diante Dele.
Assim, embora de antemão perdoado, peço perdão; posto que meu pedido de perdão seja a confissão de minha boca de que minha consciência continua cativa da verdade de Deus; e isto é importante para mim, visto que Deus sabe.
Eu, porém, sou ensinado a orar dizendo: “Perdoa as minhas dívidas assim como eu perdôo os meus devedores”. Desse modo há duas dimensões aqui envolvidas:
1. A primeira ensina que perdão é perdão. Ou seja: porque perdôo, sou perdoado; isto porque já estou perdoado; portanto, não tendo mais o direito de não perdoar. Desse modo, não perdoar equivale e dizer que não se acredita em perdão, ficando-se, assim, postos por nós mesmos, na posição de não-perdoados outra vez.
2. A segunda tem a ver com Deus, que de antemão me perdoou, mas que espera que meu coração reconheça o perdão com seriedade, a fim de que a minha consciência não fique sem exercício. Portanto, quando peço perdão, confesso que ainda estou vivo e grato; e mais: confesso meu desejo de deixar coisas e partir para outras melhores.
Arrependimento, diz o Novo Testamento, é Graça de Deus. É Deus quem concede o arrependimento, e quem conduz ao arrependimento. Portanto experimentar arrependimento já é fruto da Graça do Perdão divino. Assim, eu diria: somente perdoados se arrependem!
Prova disso é o rei Davi, que, uma vez confrontado pelo profeta Natã, disse: “Pequei contra o Senhor!”— e ouviu o profeta dizer: “Também o Senhor já perdoou o teu pecado!”
Assim, queridos e mui amados rotarianos, é que é bem-aventurado o homem a quem o Senhor não “imputa iniqüidade”. Como também é bem-aventurado todo aquele que “não se condena nas coisas que aprova”.
Desse modo, a Graça de Deus nos dá toda segurança, mas demanda de nós que vivamos buscando não pecar, não porque o pecado “tire pedaços de Deus”, mas sim porque tira os pedaços da gente.
Na revelação há sempre duas dimensões: uma eterna e outra temporal. E somente pela revelação sabemos o que é eterno, e, portanto, já é, e ninguém mudará. Ao mesmo tempo em que há advertências temporais, as quais têm dimensões de natureza, eu diria, psicológicas; isto porque concernem à alma humana e à continuidade da existência na Terra.
Por isto, eu sei que em Cristo tudo já é e já está Consumado; mas sei também que em mim mesmo, nada está acabado e concluído, pois vivo na carne, no corpo, no tempo, no espaço, e no que ainda ‘é em parte’.
Portanto, digo aos que me lêem: Os perdoados sempre pedem perdão; e, além disso, sempre perdoam!
Quando estou em um momento de “contrição” durante a oração, eu sempre aproveito para o meu bem. Mas meu confessionário é no caminho, enquanto vou, e à medida que minha consciência fala comigo. Assim deve ser com todos!


Nele,
Em Quem já sou ‘tudo’ a fim de poder ‘ser’,



Pr. Hiram Ribeiro dos Santos Filho
e-mail: hiramfilho@yahoo.com.br

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

REFLEXÃO ROTÁRIA – DIA 18/11/10

Fortaleza-Ce, 18 de novembro de 2010


Amados Rotarianos Campinenses,
Saudações em Cristo!


OS BONS OLHOS...


Jesus disse que os olhos precisam ser bons. Mesmo o cego tem que ter os olhos bons. Quem vê, tem que ver com bons olhos. Quem não vê, tem que não ver com bons olhos. Quer, pois, vejamos ou sejamos cegos, vejamos com bons olhos!
Se os olhos forem bons, todo o ser será iluminado. Tudo está no olhar! Que sejam iluminados os olhos do coração—era o desejo do apóstolo Paulo.
Queridos e amados rotarianos, se algo é impuro, o é por causa do olhar daquele que vê—sintetiza o mesmo apóstolo.
Todas as coisas são puras para os puros. Pela gratidão tudo é feito puro. Mas para aquele que tem a mente corrompida e suja, todas as coisas são impuras.
Aí está o problema. Quem não tem a mente corrompida? A mente corrompida adoece o olhar. Mas o olhar enxerga com os olhos do coração. Assim, ninguém enxerga, apenas “projeta”.
O olhar natural é apenas projeção. Somente na Graça de Deus a gente começa a ter a chance de projetar menos, e ver mais... É por isso que nossos mais veementes juízos são apenas nossas projeções.
Nos confessamos quando julgamos! O olhar bom. Meu Deus, dá-nos um bom olhar! Este mundo está cheio de olhar mau... Mau-olhado. Ora, mau é pior que mal. O segundo designa o efeito.
O primeiro define a essência. É fácil saber a qualidade das pessoas pelo olhar que elas têm da vida. Para quem não se impressiona com fachada, nada é mais revelador que o olhar... Olhar é interpretação, é entendimento, é apreciação, é luz...muita luz...até luz negra.
E ainda há tanta gente no meio religioso querendo ver onde está o demônio! Garanto: não está atrás das cortinas de uma casa, nem ainda no despacho na esquina, nem tampouco na bruxaria feita contra você.
Bem, para quem quiser saber, eu digo: o demônio está no olhar! Está no olhar de quem vê! Está na qualidade do olhar! O Diabo vê este mundo com os olhos dos homens... O Grande Olho do Diabo é a soma dos nossos olhares quando são maldosos.
Esta é a condenação: come e se alimenta do nosso pó... E enxerga com nossos olhos... Quanto pior o olhar, mais forte o diabo. Quem busca, encontra... Até o diabo... Se olhar querendo achar.
Amados rotarianos, Jesus mandou andar distraído na segurança da fé... Pois basta a cada dia o seu mal. Ele mandou olhar campos, lírios, pardais, o pôr do sol, sentir o cheiro dos ventos, discernir se vem chuva, ou calor... Sem ansiedade.
O bom olhar busca o melhor. O bom olhar não enxerga marcas ruins nas pessoas para sempre. O bom olhar espera sempre que o que perece ser, seja para o bem, e não para o mal. O bom olhar não tem medo das conseqüências de nada. O bom olhar enxerga com confiança. O bom olhar só gasta tempo apreciando aquilo pelo que ele pode expressar gratidão.
Então, o mundo começa a ser varrido; sua feiúra é vista com misericórdia; sua beleza com alegria; suas injustiças como desafios, e suas coisas boas como dom de Deus.
Quem tem olho bom, mesmo cego, tem um bom olhar. E esse homem não precisa fazer propaganda de si mesmo, pois todo o seu corpo será luminoso. Essa luz o inferno vê, só não consegue saber de onde vem, nem para onde vai...



Nele,


Pr. Hiram Ribeiro dos Santos Filho
e-mail: hiramfilho@yahoo.com.br

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

REFLEXÃO ROTÁRIA – DIA 11/11/10

Fortaleza-Ce, 11 de novembro de 2010.


Amados Rotarianos Campinenses,
Saudações em Cristo!


SUPERIOR POR FORA,
FRACO POR DENTRO!



O salmo 142 tem sua conexão histórica com o episódio de Davi poupando a vida de Saul, quando este aliviava o ventre dentro de uma caverna; e foi poupado pelo seu genro, o poeta de Israel, o herói que vencera o gigante Golias: Davi.
Uma vez tendo demonstrado a Saul que se desejasse poderia tê-lo matado dentro da gruta, enquanto o rei estava nu, Davi prosseguiu o seu caminho...mas com pesar. Até mesmo Saul teve um acesso de arrependimento e foi pelo caminho reconhecendo que Davi era mais digno do que ele.
Queridos rotarianos, a questão é que a vitória da nobreza nem sempre produz sossego no coração. Davi “vencera”, mas sua alma não desejava ter que estar “vencendo”. O que ele queria era não precisar prevalecer, pois o que ele almejava era a paz.
A maior demonstração disso é o salmo que surge como expressão da alma de Davi “depois da vitória”. Leia: “Com a minha voz clamo ao Senhor; com a minha voz ao Senhor suplico. Derramo perante ele a minha queixa; diante dele exponho a minha tribulação. Quando dentro de mim esmorece o meu espírito, então tu conheces a minha vereda. No caminho em que eu ando ocultaram-me um laço. Olha para a minha mão direita, e vê, pois não há quem me reconheça; refúgio me faltou; ninguém se interessa por mim. A ti, ó Senhor, clamei; eu disse: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes. Atende ao meu clamor, porque estou muito abatido; livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma do cárcere, para que eu louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me farás muito bem”. Salmo 142
O salmo tem as seguintes divisões no seu fluxo psico-teológico:
1. A total franqueza espiritual de chamar a tribulação pelo nome de tribulação: Com a minha voz clamo ao Senhor; com a minha voz ao Senhor suplico. Derramo perante ele a minha queixa; diante dele exponho a minha tribulação.
Hoje em dia tal oração não seria recomendada pelos atuais propositores da neuro-linguistica cristã. Nem mais para Deus se pode falar com franqueza. Deus foi substituído pela “mecânica de funcionamento das leis do sucesso”. E isto inclui não confessar tribulação nem mesmo para Deus. “Enfraquece”, é o pensam.
2. A descrição da natureza da tribulação: a) No caminho em que eu ando ocultaram-me um laço: O que denota a total insegurança dele. Ele sabia que não andava em caminhos que não fossem minados. b) Olha para a minha mão direita, e vê, pois não há quem me reconheça: Nem mesmo entre os que ficavam à “direita”—ou seja: no lugar da confiança—, ele podia encontrar a certeza de que sabiam quem ele era.
O sentimento de deixar de ser “reconhecido” como ser e essência é algo desolador. Quem já se sentiu não “reconhecido” como ser-caráter sabe a dor que causa descobrir que não há em volta ninguém que saiba qual é a sua essência.
c) Refúgio me faltou; ninguém se interessa por mim:
Esse é o sentimento da pessoa que sabe que não há “conspirações em seu favor”. Tal pessoa está só. Não há solidariedades sendo planejadas com a finalidade de facilitar-lhe a sua vida.
3. A consciência do papel terapêutico e auto-revelador da tribulação: Quando dentro de mim esmorece o meu espírito, então tu conheces a minha vereda. Davi sabia que aquele era o tempo mais profundo de sua existência, e que mesmo em meio a tais desconfortos e inseguranças, ainda assim, quem haveria de sair ganhando era ele mesmo. Afinal, seria sob a insegurança que sua alma aprenderia quem era Deus e quem ela própria era em sua consistência.
Tribulação produz auto-conhecimento, quando a alma é piedosa!
4. A demonstração da atitude certa frente a tribulação: A ti, ó Senhor, clamei; eu disse: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes. Somente quem possui a certeza de que a maior tribulação desta vida não diminui o quinhão e o tesouro do ser, é quem pode fazer sua “queixa”, reconhecer a natureza de suas angustias, discernir que há uma terapia em curso em meio ao processo, e, ainda assim, manter uma atitude confiante.
5. A prática da lógica da oração do atribulado: a) Atende ao meu clamor, porque estou muito fraco. Diante de Deus é a confissão da fraqueza que produz o poder da Graça. b) Livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Diante de Deus não se espera nada além de realidade. Se os inimigos são mais fortes que sejam admitidos como tais.
c) Tira a minha alma do cárcere, para que eu louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me farás muito bem. Diante de Deus a alma que reconhece o valor terapêutico da tribulação não tem que manter nenhum compromisso com nenhuma forma de masoquismo espiritual.
Amados e queridos rotarianos, a tribulação pode me fazer bem, mas é meu direito pedir a Deus que me livre dela, e que me cerque de boas companhias, dando-me uma vida boa.
Assim, o Davi que vencia em nobreza para “o lado de fora”, era o mesmo que experimentava a “vitória” como tristeza, pois seu grande desejo era não ter que ser campeão daquele tipo de competição. Desse modo vê-se a força do guerreiro se conciliar com a dor e a sensibilidade do homem.
É desta síntese entre o forte e nobre, e o fraco e humilde, que nasce o tipo de alma que cresce para se tornar um rotariano e um ser humano segundo o coração de Deus.


Nele,


Pr. Hiram Ribeiro dos Santos Filho
e-mail: hiramfilho@yahoo.com.br

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

REFLEXÃO ROTÁRIA – DIA 04/11/10

Fortaleza-Ce, 04 de novembro de 2010.


Amados Rotarianos Campinenses,
Saudações em Cristo!


O JOGO BRUTO!


Não sei se por ingenuidade ou imaturidade não me acostumei com jogo bruto. Para mim, jogo bruto é a constatação de que fui lançado na arena da maldade sistêmica, onde noto a hierarquização de interesses.
Não sonho em deixar que neste jogo bruto alguém soque o meu pescoço com bota com sola de aço. Ando fatigado, sei que raposas, hienas e abutres andam doidos para abocanhar os incautos derrotados pelos grandes gladiadores.
Refiro-me aos interesses políticos. São muitos os que enxergam os mortais como massa que reboca as paredes onde abrigam sonhos onipotentes.
Não agüento mais ouvir promessa de campanha eleitoral. Não suporto picuinhas ditas e repetidas para encobrir projetos pessoais. Não vejo verdade no jogo bruto da política e isso me desalenta a alma.
Mas o desalento não fica só com os políticos. Sou cria do mundo religioso, e misturar política com religião tem sido uma insanidade. Estou des-iludido com lógicas infantis. Brechas separam discurso e prática e isso é muito ruim.
Por enquanto a minha des-ilusão tem me feito bem - porque me faz cair na real - mas tenho medo de que ela descambe para o cinismo. Por algum motivo, não tolero que pessoas sejam mobilizadas a partir de paranóias.
Vejo alguns religiosos descrevendo um cenário de horror enquanto procuram fazer dos homossexuais os vilões do futuro. Os homossexuais se tornaram os inimigos que devem ser abatidos. Tais religiosos não só confundem promiscuidade com relações homo-afetivas, como fazem de vidas humanas o belo motivo para alavancar projetos.
Eles cavam trincheiras e demonizam pessoas reais, com dramas reais, só para fazer valer seus discursos. Esqueceram que Jesus amou e ama a todos indistintamente, e que os pecadores foram sua busca constante para transmitir o perdão.
Enquanto isso, vejo iniqüidades vergonhosas nos bastidores do mundo político e também religioso. Mas como algumas não resvalam na sexualidade, permanecem escondidinhas, intocadas.
Não suporto testemunhar que o meio e doce Jesus de Nazaré é usado para promover empavonados, narcisistas, caça-hereges, ditadorzinhos de meia-taça, pseudo-teólogos, bispos sem báculo e os autopromovidos apóstolos.
É vergonhoso como se deu a campanha eleitoral este ano o que me deixou de ressaca existencial, mas agradeço a Deus por eu, como pastor, não ter visto o diabo em cada esquina, e nem ter praticado alpinismo social em nome da democracia e nem do sagrado.
Aos eleitos, cabe a mim, como ministro de Deus, orar diariamente para que sejam sábios, prudentes e com a maior transparência e fidelidade, administrem para o bem do povo.


Nele,
Que contempla todas as coisas, inclusive as intenções do coração!


Pr. Hiram Ribeiro dos Santos Filho
e-mail: hiramfilho@yahoo.com.br